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Hospital de Todos-os-Santos pronto em 2012

Com vista a modernizar as infra-estruturas de saúde pública e organizar melhor os cuidados médico-hospitalares, o Governo do PS lançou o concurso para a parceria público-privada de construção do Hospital de Todos-os-Santos em Lisboa, uma obra que implicará um investimento público na ordem dos 377 milhões de euros.

     

Na cerimónia de lançamento do concurso, realizada a 14 de Abril, o primeiro-ministro, José Sócrates, deixou claro que “o Estado vai partilhar os riscos com o privado na construção desta valência e poderá concessionar serviços de lavandaria e de alimentação, mas a gestão clínica será pública”, uma vez que – frisou – “os custos de uma gestão privada são tão grandes que põem em causa os eventuais ganhos de eficiência que essa gestão privada pudesse ter”.
Na ocasião, Sócrates manifestou também o desejo de que esta unidade venha a colocar-se “na fronteira tecnológica” e a “desenvolver o que há de melhor no mundo ao nível da investigação em ciências médicas”.
“A ideia de combinar educação, investigação e inovação é um desafio para a universidade”, acrescentou.
Para o chefe do Executivo socialista, a construção do hospital e o encerramento das cinco unidades antigas será também uma oportunidade para a Câmara Municipal de Lisboa requalificar a zona oriental e áreas do centro histórico.
Por sua vez, a ministra da Saúde, Ana Jorge, referiu que, com esta parceria público-privada, a tutela espera “alcançar diversos benefícios para o Estado e para os cidadãos”, designadamente “uma partilha adequada de riscos com o sector privado, um controlo efectivo dos custos com a obra, eficiência na gestão da manutenção da infra-estrutura ao longo de 30 anos de concessão e o controlo dos custos dos serviços complementares de apoio (alimentação, gestão de resíduos, lavandaria, etc.) ao longo de dez anos”.
Assim, o sector privado ficará responsável pela construção e área dos serviços gerais e equipamentos do hospital, com excepção da alta tecnologia da área médica.
O Hospital de Todos-os-Santos terá, como foi salientado por José Sócrates, uma vocação para o ensino e investigação, no âmbito da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.
Refira-se que a futura unidade hospitalar substituirá as cinco já existentes que actualmente formam o Centro Hospitalar de Lisboa Central, a saber: os hospitais de São José, Desterro, Capuchos, Santa Marta e Estefânia.
O Executivo prevê que o novo equipamento, que deverá estar pronto e a funcionar no prazo de quatro anos (2012), ocupando uma área útil de 75.351 metros quadrados, se constitua como um hospital de fim de linha, com ensino pré e pós graduado e investigação clínica de ponta, servindo além disso uma população de 300 mil pessoas e dispondo de 789 camas, 22 salas de bloco operatório, oito salas de parto e 86 gabinetes.

Um equipamento de referência

O Hospital de Todos-os-Santos terá uma área de influência directa, uma área de influência de segunda linha e uma outra de terceira linha.
Na área de influência directa, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), abrangerá 281 mil habitantes, sendo 185 mil correspondentes a freguesias de Lisboa (Alto do Pina, Anjos, Beato, Castelo, Graça, Madalena, Marvila, Pena, Penha de França, Santa Engrácia, Santa Justa, Santa Maria dos Olivais, Santiago, Santo Estêvão, São Cristóvão e São Lourenço, São João, São Miguel, São Vicente de Fora, Sé, Socorro) e 96 mil correspondentes a freguesias de Loures (Bobadela, Moscavide, Portela, Prior Velho, Sacavém, Santa Iria da Azóia, São João da Talha).
Na área de influência de segunda linha, será hospital de referência para as necessidades não cobertas pelos hospitais de Vila Franca de Xira, Santarém e Médio Tejo, servindo assim de apoio em especialidades mais diferenciadas para a população residente no distrito de Santarém (excluindo o concelho de Benavente) e para a população residente na área de influência no Novo Hospital de Vila Franca de Xira (concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Benavente e Vila Franca de Xira), a qual corresponde, de acordo com os dados do INE, a um total de cerca de 670 mil habitantes.
Já na área de influência de terceira linha, o Hospital de Todos-os-Santos dará resposta aos queimados com mais de 30% da superfície corporal afectada, à totalidade das necessidades de transplantes hepáticos, de coração, do pâncreas, do pulmão e dos rins, e à totalidade das necessidades de cardiologia pediátrica médico-cirúrgica dos distritos das regiões de Lisboa e Vale do Tejo, do Alentejo e do Algarve.
O futuro hospital deverá dar ainda resposta a cerca de 50% das necessidades das necessidades de cardiologia pediátrica médico-cirúrgica dos distritos da região Centro e às necessidades relativas a grandes traumatizados dos distritos das regiões do Alentejo e do Algarve.
M.R.

 

     

PRINCÍPIOS ORIENTADORES

- Organização da prática clínica por processos
- Centralização e partilha de recursos
- Elevado nível de externalização dos serviços não clínicos
- Impacto ambiental do hospital mínimo, durante o seu ciclo de vida
- Partilha de recursos com ensino universitário pré e pós-graduado e de investigação
- Elevado grau de flexibilidade na utilização dos espaços e adaptabilidade futura
- Processos informatizados, “sem papel” e suportados em modernos sistemas de comunicação
- Diferenciação entre os percursos de utentes internados, utentes ambulatórios e visitantes, pessoal e apoio logístico, bem como a separação entre limpos e sujos,
- Elevados níveis de habitabilidade e conforto para todos os utilizadores do hospital
- Diferenciação do atendimento pediátrico face ao restante atendimento do hospital
- Integração na rede de cuidados de saúde primários e continuados.

   
     

ESPECIALIDADES

MÉDICAS
Cardiologia, cardiologia pediátrica, doenças infecciosas, endocrinologia e nutrição, gastrenterologia, genética médica, hematologia clínica, imonoalergologia, medicina interna, nefrologia, neurologia, oncologia médica, pediatria, pneumologia, psiquiatria, psiquiatria da infância e da adolescência, reumatologia.

CIRÚRGICAS
Angiologia e cirurgia vascular, cirurgia cardiotorácica, cirurgia geral, cirurgia maxilo-facial/estomatologia, cirurgia pediátrica, cirurgia plástica reconstrutiva e estética, dermato-venereologia, ginecologia/obstetrícia, medicina dentária, neurocirurgia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, urologia.

DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICA
Anatomia patológica, anestesiologia, farmacologia clínica,
imuno-hemoterapia, medicina física e de reabilitação, medicina nuclear, neuroradiologia, patologia clínica, radiodiagnóstico, radioterapia.