Na cerimónia de lançamento
do concurso, realizada a 14 de Abril, o primeiro-ministro, José Sócrates,
deixou claro que “o Estado vai partilhar os riscos com o
privado na construção desta valência e poderá concessionar
serviços de lavandaria e de alimentação, mas
a gestão clínica será pública”,
uma vez que – frisou – “os custos de uma gestão
privada são tão grandes que põem em causa
os eventuais ganhos de eficiência que essa gestão
privada pudesse ter”.
Na ocasião, Sócrates manifestou também o desejo
de que esta unidade venha a colocar-se “na fronteira tecnológica” e
a “desenvolver o que há de melhor no mundo ao nível
da investigação em ciências médicas”.
“A ideia de combinar educação, investigação
e inovação é um desafio para a universidade”,
acrescentou.
Para o chefe do Executivo socialista, a construção
do hospital e o encerramento das cinco unidades antigas será também
uma oportunidade para a Câmara Municipal de Lisboa requalificar
a zona oriental e áreas do centro histórico.
Por sua vez, a ministra da Saúde, Ana Jorge, referiu que,
com esta parceria público-privada, a tutela espera “alcançar
diversos benefícios para o Estado e para os cidadãos”,
designadamente “uma partilha adequada de riscos com o sector
privado, um controlo efectivo dos custos com a obra, eficiência
na gestão da manutenção da infra-estrutura ao
longo de 30 anos de concessão e o controlo dos custos dos
serviços complementares de apoio (alimentação,
gestão de resíduos, lavandaria, etc.) ao longo de dez
anos”.
Assim, o sector privado ficará responsável pela construção
e área dos serviços gerais e equipamentos do hospital,
com excepção da alta tecnologia da área médica.
O Hospital de Todos-os-Santos terá, como foi salientado por
José Sócrates, uma vocação para o ensino
e investigação, no âmbito da Faculdade de Ciências
Médicas da Universidade Nova de Lisboa.
Refira-se que a futura unidade hospitalar substituirá as cinco
já existentes que actualmente formam o Centro Hospitalar de
Lisboa Central, a saber: os hospitais de São José,
Desterro, Capuchos, Santa Marta e Estefânia.
O Executivo prevê que o novo equipamento, que deverá estar
pronto e a funcionar no prazo de quatro anos (2012), ocupando uma área útil
de 75.351 metros quadrados, se constitua como um hospital de fim
de linha, com ensino pré e pós graduado e investigação
clínica de ponta, servindo além disso uma população
de 300 mil pessoas e dispondo de 789 camas, 22 salas de bloco operatório,
oito salas de parto e 86 gabinetes.
Um equipamento de referência
O Hospital de Todos-os-Santos terá uma área de influência
directa, uma área de influência de segunda linha e
uma outra de terceira linha.
Na área de influência directa, segundo dados do Instituto
Nacional de Estatística (INE), abrangerá 281 mil
habitantes, sendo 185 mil correspondentes a freguesias de Lisboa
(Alto do Pina, Anjos, Beato, Castelo, Graça, Madalena, Marvila,
Pena, Penha de França, Santa Engrácia, Santa Justa,
Santa Maria dos Olivais, Santiago, Santo Estêvão,
São Cristóvão e São Lourenço,
São João, São Miguel, São Vicente de
Fora, Sé, Socorro) e 96 mil correspondentes a freguesias
de Loures (Bobadela, Moscavide, Portela, Prior Velho, Sacavém,
Santa Iria da Azóia, São João da Talha).
Na área de influência de segunda linha, será hospital
de referência para as necessidades não cobertas pelos
hospitais de Vila Franca de Xira, Santarém e Médio
Tejo, servindo assim de apoio em especialidades mais diferenciadas
para a população residente no distrito de Santarém
(excluindo o concelho de Benavente) e para a população
residente na área de influência no Novo Hospital de
Vila Franca de Xira (concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos,
Azambuja, Benavente e Vila Franca de Xira), a qual corresponde,
de acordo com os dados do INE, a um total de cerca de 670 mil habitantes.
Já na área de influência de terceira linha,
o Hospital de Todos-os-Santos dará resposta aos queimados
com mais de 30% da superfície corporal afectada, à totalidade
das necessidades de transplantes hepáticos, de coração,
do pâncreas, do pulmão e dos rins, e à totalidade
das necessidades de cardiologia pediátrica médico-cirúrgica
dos distritos das regiões de Lisboa e Vale do Tejo, do Alentejo
e do Algarve.
O futuro hospital deverá dar ainda resposta a cerca de 50%
das necessidades das necessidades de cardiologia pediátrica
médico-cirúrgica dos distritos da região Centro
e às necessidades relativas a grandes traumatizados dos
distritos das regiões do Alentejo e do Algarve.
M.R. |
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ESPECIALIDADES
MÉDICAS
Cardiologia, cardiologia pediátrica, doenças
infecciosas, endocrinologia e nutrição, gastrenterologia,
genética médica, hematologia clínica,
imonoalergologia, medicina interna, nefrologia, neurologia,
oncologia médica, pediatria, pneumologia, psiquiatria,
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Anatomia patológica, anestesiologia, farmacologia
clínica, imuno-hemoterapia,
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