ACTUALIDADE
 

25 de Abril o dia da paz, das utopias
e dos sonhos ainda por concretizar

Na sessão solene parlamentar comemorativa do 34º aniversário do 25 de Abril, o deputado Osvaldo Castro, em nome da bancada do PS, evocou a data como a madrugada da liberdade, da tolerância, da igualdade e da fraternidade.
Saudando os capitães de Abril, que “reiteradamente, ano após ano, honraram o Parlamento com a sua significativa presença”, Osvaldo Castro afirmou que o 25 de Abril é o dia da democracia, da descolonização e do desenvolvimento, mas também da “paz, das utopias e dos sonhos ainda por concretizar”.

     

Foi a madrugada “em que os corações dos portugueses se alvoroçaram”, disse, acrescentando “o dia inicial inteiro e limpo/ Onde emergimos da noite e do silêncio”, recordando o poema de Sofia de Mello Breyner.
Durante 48 anos, lembrou o deputado socialista, vivemos “num enclausurado silêncio” que se entrecortava com uma guerra colonial que “devastava pela morte, pela mutilação e pela doença” largos milhares de jovens portugueses, “mas também muitos milhares de jovens guerrilheiros e simples cidadãos africanos”.
Portugal sangrava em África os seus recursos humanos e financeiros, “vivíamos num país esmagado pela fome e pela mais pesada miséria”.
A liberdade de opinião, de imprensa, de reunião ou qualquer manifestação ou greve, sublinhou, eram realidades proibidas e rapidamente reprimidas pelo poder indiscriminado da polícia política. Centenas dos nossos melhores intelectuais e homens de cultura, recordou ainda Osvaldo Castro, foram forçados ao “penoso exílio” e afastados “compulsivamente” das suas cátedras universitárias e carreiras académicas, assim como milhares de jovens optaram por desertar ou mesmo não aceitar serem incorporados com destino à guerra colonial.
Mas houve quem resistisse, “quem se tenha empenhado na luta contra a opressão”, e que, por isso, “penou nas prisões políticas” ou até, nalguns casos, tivesse “sucumbido às balas ou aos maus tratos dos esbirros do fascimo”.
Mas a democracia que hoje celebramos, disse ainda Osvaldo Castro, só é “verdadeiramente democrática onde todos os deputados são respeitados como legítimos representantes dos que os elegeram e os direitos das oposições são estimados”, disse, referindo-se indirectamente à recente polémica levantada pelo líder do Governo madeirense quando acusou de “bando de loucos” os deputados da oposição daquela região Autónoma.
Passados 34 anos, frisou o deputado do PS, podemos dizer que Portugal é um país que dispõe de uma Constituição democrática, onde estão “lapidarmente inscritos os princípios basilares da democracia”, onde se garantem os direitos fundamentais, em que está assegurado o primado do Estado de Direito democrático, consagrados o direito à opinião e expressão livres, “mesmo quando avessas à democracia” e onde se encontram “plasmados os direitos e garantias que enformam o nosso regime democrático representativo e pluralista”.
Nesta democracia “paulatinamente consolidada”, observou Osvaldo Castro, há também que salientar o papel crescente da sedimentação e ampliação da autonomia e dos poderes e atribuições das instituições representativas do poder local e regional, “consagrados constitucionalmente” num catálogo que se estende aos direitos fundamentais dos trabalhadores, ao salário mínimo, ao direito à greve, à liberdade sindical, ao direito pleno à segurança social, ao subsídio de desemprego, às prestações sociais, às pensões de reforma, ao rendimento social de inserção, mas também à protecção na doença.
Pilares, sublinhou, “de um verdadeiro Estado Social que faz transparecer a valorização dos direitos sociais e a preocupação com a coesão social”.
Tudo isto, sublinhou ainda deputado socialista, que “são diferenças por de mais relevantes”, no plano político e social, “em confronto com os tempos da ditadura”, deve-se em primeira instância “ao 25 de Abril e aos 34 anos que já lhe sucederam”.

Sócrates reafirma necessidade
de chamar jovens à democracia

Também o primeiro-ministro, em declarações no final da sessão solene aos jornalistas, disse concordar na necessidade de aproximar mais os jovens da política e do conhecimento da História, rejeitando, todavia, “as visões pessimistas que em nada ajudam”.
Eu posso concordar, disse José Sócrates, com o Presidente da República (PR), que, recorde-se, centrou a sua intervenção num estudo onde se verifica o afastamento dos jovens relativamente à política, algo que o primeiro-ministro considerou como “natural” uma vez que, frisou, “os jovens têm muitas outras preocupações”.
Para o primeiro-ministro, mais importante ainda é apelar a todos os jovens para que tenham “um maior optimismo e entusiasmo em relação ao futuro do país”, porque esta geração mais nova é aquela “que pode contar com mais oportunidades de educação e de vivência internacional”.
Em relação às palavras do Presidente da República, também o primeiro-ministro disse que é tempo de se “acabarem as previsões pessimistas que em nada ajudam”, não deixando de concordar com as posições defendidas por alguns analistas que têm vindo a alertar para as dificuldades que aí vêm, frisando, contudo, que elas ocorrerão sobretudo devido “à conjuntura internacional”.

A democracia precisa de novas ideias

Antes da intervenção do deputado socialista, tinha usado da palavra o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que defendeu a “absoluta necessidade” da criação de ideias políticas para a democracia, justificando que esta responsabilidade “recai sobre os partidos políticos e sobre os responsáveis públicos”.
Para Gama, é igualmente “indispensável” um enquadramento institucional da língua portuguesa, com “uma atribuição de recursos à altura da responsabilidade da tarefa”, porque em sua opinião, como frisou, “não há democracia sem ideias políticas”.
O regime democrático é, para o presidente do Parlamento, um debate que “assenta na vertiginosa criação de ideias”. Prosseguir o espírito de 25 de Abril é, para Jaime Gama, “ser-lhe fiel e manter vivo em cada um de nós o valor das ideias”.
Na opinião da segunda figura da hierarquia do Estado, os tempos difíceis exigem, a par da qualificação, transparência e seriedade da Administração e dos titulares dos órgãos de soberania “como factores essenciais”, sentido de “missão dos responsáveis públicos em geral” para enfrentar “sem tréguas” áreas de tão elevada complexidade como o combate à criminalidade económica e financeira e à corrupção.
R.S.A.

 

     

PS QUER CELEBRAÇÃO SOLENE
DO 25 DE ABRIL NO PARLAMENTO MADEIRENSE

A democracia só terá qualidade na Madeira quando o 25 de Abril for celebrado solenemente na Assembleia Legislativa Regional. Esta a principal mensagem deixada pelo dirigente do secretariado nacional do PS e ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, no Funchal, durante o jantar/comício socialista comemorativo dos 34 anos da Revolução dos Cravos.
Na ocasião, Santos Silva recordou que as assembleias “representam a diversidade, a pluralidade das opiniões dos partidos e das forças políticas que constituem a sociedade”.
Mas, “uns não gostam do 25 de Abril, outros acham um embaraço e uma perda de tempo prestarem contas no parlamento, outros permitem insultar deputados eleitos”, criticou, vincando novamente a ideia de que o 25 de Abril de 1974 “deve também ser celebrado em sessão solene nas instituições políticas que representam os cidadãos, na Assembleia da República e nas assembleias legislativas regionais”.
Augusto Santos Silva disse ainda que “a democracia não precisa de insultos, do desprezo pelos parlamentos e pelos deputados, a democracia precisa, isso sim, do respeito recíproco entre os vários partidos e as várias instituições”.
“Queremos liberdade em todo o país, que ninguém tenha medo, também na Madeira, por votar desta maneira ou daquela, queremos que ninguém sinta medo, que ninguém se sinta ameaçado só por participar nas comemorações do 25 de Abril, queremos que as pessoas possam escolher livremente os seus empregos, os seus amigos, as suas opções políticas e as suas preferências partidárias”, concluiu, endereçando ainda o apoio do PS nacional à luta dos socialistas madeirenses.