As contas públicas portuguesas estão de facto consolidadas
e em ordem. O Gabinete de Estatísticas da União Europeia – Eurostat –,
a organização da Comissão Europeia que produz
dados estatísticos para a União e promove a harmonização
dos métodos estatísticos entre os Estados-membros,
confirma, no seu relatório divulgado a 18 de Abril passado,
que o défice português relativo a 2007 é de
2,6 % do Produto Interno Bruto (PIB), o valor mais baixo das últimas
três décadas.
Recorde-se que o Governo de coligação PSD/CDS-PP
andou dois anos consecutivos a disfarçar o défice
público com a utilização de receitas extraordinárias.
Assim, em 2003 e 2004 o défice fixou-se em 5,3% do PIB.
Já em 2005, o Relatório “Constâncio” previa
um défice de 6,8%.
Com a tomada de posse do Executivo chefiado por José Sócrates,
o PS apresentou um plano de recuperação económica
que apontava para objectivos do défice de 6,2% para 2005,
4,6% para 2006 e 3,7% para 2007.
Todavia e mediante uma boa execução, o Governo socialista
conseguiu suplantar o objectivo de 2005 e de 2006, pois o défice
acabou por se fixar em 6,1% e 3,9%, respectivamente.
Os resultados foram de tal maneira satisfatórios que o Executivo
liderado por José Sócrates esteve em condições
de rever em baixa o valor do défice para 2007 de 3,7% para
3,3% e, na proposta do Orçamento de Estado de 2008, para
3,0%. Mas, mesmos assim, o desempenho da nossa economia aliado
ao rigor das contas públicas surpreenderam pela positiva.
Entretanto, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) estima
que este ano o défice público português seja
de 2,4% do PIB.
M.R.
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