No debate da proposta de resolução do Governo para
aprovação do Tratado de Lisboa, na Assembleia da
República, o primeiro-ministro classificou o novo tratado
europeu como uma “vitória da Europa, dos valores europeus
e da abertura da Europa ao mundo” que honra, como sublinhou, “a
melhor tradição europeia”.
Para José Sócrates, este tratado “que reúne
um largo consenso político e social”, reflecte o verdadeiro
espírito europeu, que se orgulha do seu passado e que pretende
estar à altura dos novos desafios. Uma Europa, disse, que
soube “superar o impasse institucional em que tinha caído” estabelecendo
compromissos que lhe permite avançar agora na vinculação
aos direitos humanos, à paz e ao desenvolvimento, à valorização
dos direitos sociais, à preocupação com a
coesão, à ênfase na dimensão social
e da economia e no aprofundamento da democracia.
“Quando a Europa ganha, Portugal também ganha”, disse José Sócrates,
afirmando que “esta é a minha visão dos interesses nacionais”.
Depois de recordar um conjunto de normas e de decisões estabelecida
no novo tratado, com destaque especial, como frisou, para a Carta
dos Direitos Fundamentais, para o reforço da cidadania europeia,
para o avanço em matéria de uma nova arquitectura
institucional ou para a “clara valorização
do papel da Europa no mundo”, o primeiro-ministro referiu
ainda outros avanços que classificou de igualmente importantes,
como os referentes aos direitos, liberdades e garantias individuais,
mas também, “o que é muito importante”,
os direitos sociais.
A cidadania europeia, reforçou, “funda-se naquilo
que foi desde sempre a nossa visão do modelo social europeu”,
constituindo este ponto, “sem qualquer dúvida”,
uma das maiores conquistas deste tratado.
Depois de evocar o papel de Portugal, relembrando que o Tratado
de Lisboa foi concluído e assinado na presidência
portuguesa, iniciativa que era “um dos nossos principais
objectivos e que foi totalmente cumprido”, o primeiro-ministro
enveredou por fazer uma reflexão perguntando aos deputados “os
que estaríamos hoje aqui a discutir, caso não existisse
o tratado?” Estaríamos, prosseguiu, certamente a “discutir
temas como a crise europeia, o impasse europeu ou ainda a Europa
a várias velocidades”.
Para o chefe do Governo, Portugal está “umbilicalmente
ligado aos valores, ao projecto, à aventura europeia”,
já que se o sistema se funda na democracia representativa,
parlamentar, constitucionalmente vinculada ao conjunto de direitos
civis, políticos e sociais que configuram o modelo europeu.
Um tratado que fortalece
a Europa
Para o líder parlamentar socialista, Alberto Martins, com
este tratado a Europa fica dotada de novos mecanismos que lhe permitirão
responde melhor aos grandes desafios mundiais.
A União Europeia, disse, passará a ser uma comunidade
política mais social, coesa e solidária, mais “respeitadora
dos direitos dos Estados-membros e dos cidadãos”,
mas também mais capaz de intervir de forma “coerente
e resoluta” na cooperação externa, na manutenção
da paz e na regulação da globalização.
Depois de se referir aos mais importantes consignados no Tratado
de Lisboa, que em sua opinião “introduzem uma profunda
reforma no quadro institucional”, como os novos mecanismos
relacionados com a segurança, com a sustentabilidade, com
a “indivisibilidade dos direitos civis, políticos,
económicos, sociais e culturais” ou ainda com o desafio
na regulação política, Alberto Martins defendeu
a ideia de que as alterações introduzidas no novo
tratado europeu “vão indiscutivelmente no sentido
de uma maior democraticidade, de mais responsabilidade e de uma
maior transparência da vida política da União”.
Na sua intervenção, o líder parlamentar do
PS referiu-se também à nova visão institucional
da UE, introduzida pelo Tratado de Lisboa, que na sua perspectiva “passa
a ser mais racional”, nomeadamente com o novo sistema de
votação em Conselho,”visando ultrapassar os
bloqueios resultantes do princípio de decisão por
unanimidade”, ao reforço da cooperação
policial e judiciária, ao novo papel atribuído ao
Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros
e Política de Segurança, à adopção,
no âmbito legislativo, da regra da co-decisão entre
o Parlamento Europeu e o Conselho, ao novo papel reservado aos
parlamentos nacionais, ou, ainda, à Carta dos Direitos Fundamentais, “como
instrumento jurídico vinculativo dos valores individuais
e universais da dignidade do ser humano, da liberdade, da igualdade,
da solidariedade, da cidadania e da justiça”.
Crise mundial
acelera processo
Já na opinião de Luís Amado, ministro de
Estado e dos Negócios Estrangeiros, a crise mundial, que
já se sente em muitos países, está a obrigar
os líderes europeus a terem que acelerar a aprovação
do Tratado de Lisboa por via parlamentar e o “mais rapidamente
possível”.
Foi, aliás, por haver já a percepção,
no final da presidência portuguesa da UE, que “uma
crise larvar, de contornos económicos e sociais estava a
chegar”, que terá, na perspectiva de Luís Amado,
apressado os países europeus a ratificarem de forma célere
este Tratado europeu.
Este cenário de crise mundial, justificou, foi um dos argumentos
determinantes, quer na preparação dos compromissos
que levaram ao Tratado de Lisboa, “quer em relação à forma
como os dirigentes políticos europeus decidiram ratificar
o processo pela via parlamentar”.
Perante este quadro, sublinhou o ministro dos Negócios Estrangeiros, “seria
absolutamente irresponsável” do ponto de vista político
o recurso à consulta popular através de um referendo,
lamentando que alguns partidos “não entendam que o
mundo está a mudar rapidamente”.
Por isso, lamentou que “alguns partidos não entendam
que o mundo mudou e está a mudar muito rapidamente”,
acusando-os de terem um comportamento, neste como em muitos outros
capítulos, “exactamente igual ao que tinham há 20
anos”.
R.S.A. |
|
|