José Sócrates acusou o PCP e o BE de cegueira, sectarismo
e de fazerem do PS o “inimigo principal”, numa alusão às
críticas daqueles partidos às propostas do Governo
de revisão do Código do Trabalho.
“Só por pura cegueira e sectarismo é que os
partidos à nossa esquerda podem dizer que estas propostas
não vão mudar nada. O PS apresenta medidas contra
a precariedade, medidas que nunca foram apresentadas, e ainda assim
acham que devem continuar a atacar o Governo e o Partido Socialista”,
disse.
O primeiro-ministro e secretário-geral do PS falava no dia
26 de Abril num encontro com centenas de militantes em Vila Franca
de Xira sobre “A reforma laboral – um compromisso social”.
José Sócrates sublinhou que a reforma laboral, “uma
das mudanças mais importantes para Portugal e o seu futuro”,
que visa “mais competitividade e justiça social”,
assenta em três eixos principais: combate à precariedade,
adaptabilidade e negociação.
“O combate à precariedade é fundamental porque
atingiu níveis a que não nos podemos resignar”,
disse, adiantando que “os que utilizam o recibo verde para
disfarçar uma relação laboral vão ser
confrontados com a necessidade de mudar para outro tipo de contrato”.
Por outro lado, frisou, “pela primeira vez o empregador vai
pagar uma contribuição de cinco por cento por cada
trabalhador a recibo verde”, salientando “não
ser justo aceitar que os jovens a recibo verde tenham de pagar
toda a protecção social”.
Ainda no âmbito do combate à precariedade, o líder
socialista vai ser valorizado o contrato sem termo, através
de uma diferenciação na contribuição
do empregador.
“Metade ou mais de metade dos desempregados são pessoas
que estavam com contratos a prazo. É por isso justo que
as empresas que mais utilizam os contratos a prazo sejam as que
pagam mais”, defendeu.
Quanto à adaptabilidade, Sócrates referiu que a proposta
do Governo tem como objectivo “dar a possibilidade aos empregadores
de acertarem com os trabalhadores horários mais flexíveis
que sirvam melhor as empresas.
E referiu ainda que a negociação entre empresários
e sindicatos vai também ser incentivada, mas defendeu o
fim das convenções colectivas de trabalho com mais
de dez anos que “nunca caducam”, considerando que são “um
atraso de vida para a economia” e para os trabalhadores.
Mudança na forma
e no conteúdo
Antes, o ministro do Trabalho
e da Solidariedade Social, Vieira Silva, falou dos aspectos “mais relevantes” da proposta
de reforma das relações laborais, começando
por considerar ser “um engano profundo” alguém
poder afirmar que as medidas avançadas pelo Governo não
vão mudar nada.
“Esta é uma proposta de mudança, na forma e
no conteúdo, que nasceu de um diagnóstico aprofundado,
de um estudo sério e que visa reduzir e combater a precariedade,
eliminar os aspectos mais perversos das situações
atípicas das relações de trabalho”,
disse.
E sublinhou que o Governo vai “reforçar os meios da
lei e os meios de fiscalização para combater essas
ilegalidades”.
“As mudanças que apresentámos aos parceiros
sociais vão no caminho certo, designadamente para promover
a negociação”, disse, sublinhando que é nos
países mais desenvolvidos que o diálogo social está mais
institucionalizado.
E sublinhou ainda que esta proposta de reforma das relações
laborais “é um grande instrumento para conciliar competitividade
e coesão social”. |
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