O primeiro-ministro falava
no Teatro Micaelense, perante mais de 400 militantes no encerramento
do XIII Congresso do PS/Açores
que decorreu em Ponta Delgada, entre os dias 18 e 20 de Abril.
A reunião magna dos socialistas açorianos decorreu
depois das “directas” para a liderança do partido
na região, que tiveram lugar no passado mês de Fevereiro.
Nessas eleições Carlos César foi reeleito
com mais de 99 por cento dos votos, isto a cerca de seis meses
das eleições regionais de Outubro.
Sócrates começou por elogiar a governação
de Carlos César, afirmando que a obra que o Governo Regional
dos Açores vem desenvolvendo desde 1996, representa “uma
década de ouro para a região”, um orgulho e
um património que na opinião do primeiro-ministro é pertença
não só do “trabalho sério do PS/Açores
mas também do PS nacional”.
Para o primeiro-ministro, o presidente do Governo Regional dos
Açores, “é hoje um dos grandes políticos
portugueses e um dos melhores governantes do seu tempo”.
Carlos César, na opinião do secretário-geral
do PS, tem vindo a desenvolver uma liderança no Governo
da região que é um modelo a seguir e um exemplo de
autonomia responsável.
Sócrates lembrou que Carlos César “sempre lutou
pela transparência, pelos direitos das oposições
e que tudo tem feito para que a vida política decorra à altura
das boas tradições liberais e democráticas”.
Aqui nos Açores, disse, o Governo Regional luta por mais
transparência e “gosta de defender o parlamento”.
Referindo-se ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores,
que será objecto de uma votação final na Assembleia
da República, o primeiro-ministro sublinhou que este regulamento
constituirá “um passo sério e responsável” na
direcção certa do aprofundamento e consolidação
da autonomia, referindo que nenhum responsável político
do PS mostra qualquer inquietação pela reivindicação
de Carlos César quando este pede maior autonomia para os
Açores.
Na perspectiva do PS, disse o primeiro-ministro, a autonomia não é vista
como um entrave ao desenvolvimento, mas, pelo contrário,
como um “processo sempre aberto à mudança” donde
devem resultar “benefícios para todos”.
Mostrando-se confiante quanto a uma vitória do Partido Socialista
nas eleições que decorrerão em Outubro próximo
naquela região autónoma, Sócrates não
fugiu à polémica ao afirmar que o PS e os seus dirigentes “não
defendem uma coisa nos Açores e outra em Lisboa”,
referindo-se à recente controvérsia criada pelo então
ainda líder do PSD, Luís Filipe Menezes, quando este
defendeu na Madeira, dias antes, uma autonomia sem limites, posição
que veio a desmentir ter assumido à sua chegada a Lisboa.
Mas as críticas de José Sócrates foram ainda
estendidas ao presidente do Governo Regional da Madeira, lembrando
que no parlamento regional dos Açores “temos o mesmo
regime de incompatibilidades e de limitações de mandatos
da Assembleia da República”, facto que, frisou, “honra
a democracia”.
César condena a política
da arrogância
Intitulada “Fazer Sempre Mais, Sempre Melhor”, a moção
de orientação política apresentada pelo líder
do PS/Açores, Carlos César, foi aprovada por unanimidade
pelos delegados presentes no XIII Congresso Regional do partido,
que decorreu na ilha de S. Miguel.
Além desta moção de orientação
política global apresentada ao Congresso pelo presidente
do Governo dos Açores, os congressistas tiveram ainda oportunidade
de debater e votar dez moções sectoriais.
O documento, subscrito pelo presidente dos socialistas açorianos,
defende, entre outros pontos, que o partido deve chamar cidadãos
sem filiação partidária aos lugares no parlamento
e do Governo Regional, no que classifica como uma “aposta
de abertura à sociedade”.
A moção defende ainda o que designa de “parceria
na governação”, medida que preconiza que os
cidadãos possam influenciar e fiscalizar as opções
políticas fundamentais do partido e do Governo.
Dirigindo-se ao Congresso, o líder do PS/Açores,
Carlos César, começou por defender que o PS deve
opor-se com firmeza e intransigência a qualquer “assomo
de arrogância ou de autismo partidário”, devendo
a sua governação na região autónoma
continuar a ser orientada no sentido de prevenir acções
de corrupção.
Para César, o partido não pode ter nunca a “menor
complacência com comportamentos ilícitos de políticos
em benefício próprio ou de interesses estranhos à boa
administração”, lembrando que os socialistas
e os políticos ao serviço do PS e do “nosso
projecto serão sempre devedores do povo e nunca seus credores”.
Só com políticos imbuídos com esta mentalidade,
disse, é que faz sentido que o partido peça aos açorianos
uma vitória nas próximas eleições de
Outubro para o parlamento açoriano.
Voltando-se para o primeiro-ministro, “um amigo de há muitos
anos”, Carlos César garantiu que os socialistas dos
Açores “estarão sempre ao seu lado” para
o ajudar a vencer as eleições legislativas de 2009,
de “forma a consolidar o trabalho que tem feito, beneficiando
os portugueses e relançando Portugal”, o que não
invalida, disse, “que lhe dê tréguas na forma
como cumpro o meu dever de defender responsavelmente os interesses
dos Açores”, sublinhando que por vezes tem a obrigação
de dizer que o Governo da República “está aquém
do que pode e deve fazer pela região”.
Contudo, reforçou, a contribuição do PS/Açores
para a vitória e bom governo do PS no país “nunca
esteve nem estará em causa”, e deve acarretar, nos
vários domínios da acção parlamentar, “o
nosso apoio activo e leal”.
Que ninguém tenha dúvidas, disse Carlos César,
que os socialistas das ilhas “orgulham-se da firmeza patriótica
com que o Governo liderado por José Sócrates tem
sabido enfrentar a crise e a paralisia que afectava Portugal”.
Quanto à sua posição de defesa intransigente
da autonomia, o presidente do Governo Regional lembra que o PS/Açores “não
descura nenhum momento para a aprofundar e aperfeiçoar”,
uma ambição que deseja que o primeiro-ministro também
partilhe, “inscrevendo-a no seu programa de candidatura nas
eleições para a Assembleia da República”.
Como salientou, “sem identidade perdemo-nos, sem autonomia
não nos encontramos”.
Reclamando para a região autónoma “mais investimento
e mais investidores”, Carlos César disse ser defensor
do princípio de que os serviços públicos, “em
determinadas circunstâncias”, devem ser prestados por
privados.
O que devemos analisar, acrescentou, é se a qualidade dos
serviços que são prestados à população, “são
os mais apropriados” e não “a abrangência
das entidades que os prestam”.
R.S.A. |
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