
Carlos Zorrinho
Coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e do
Plano Tecnológico
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A preparação do país para fazer face
aos desafios da competitividade global não dispensa
uma cuidadosa requalificação do território
através de investimentos estruturantes de nova geração,
como o Aeroporto de Alcochete, o Comboio de Alta Velocidade,
as novas Centrais Hídricas, as Plataformas Logísticas,
as Acessibilidades ou as Redes de Comunicação
de alto débito.
São investimentos que mobilizam elevados recursos
e têm uma importância decisiva para o crescimento
e o emprego, como resulta da aplicação da rigorosa
malha analítica da Comissão Europeia, que os
considera elegíveis e integrantes da Estratégia
de Lisboa.
Estes investimentos implicam uma combinação
criativa entre processos e estruturas. Algum betão
será necessário para dar corpo às iniciativas,
mas elas serão muito mais do que betão. Não é por
isso correcta a análise dos que contrapõem
o investimento nestas infra-estruturas aos investimentos
de carácter mais intangível, designadamente àqueles
que decorrem do Plano Tecnológico.
Desenvolver uma rede de comboio de alta velocidade ou um
aeroporto internacional moderno, para escolher apenas dois
exemplos emblemáticos, tem uma componente tecnológica
que vai muito para além de qualquer outra e mobilizará de
forma determinante as competências do país em
tecnologias associadas à mobilidade.
Não nos devemos pois deixar impressionar pelos que
falam dum regresso ao betão nas prioridades do Governo.
O bom investimento público é fundamental para
o nosso desenvolvimento. O facto dele ser concretizado no
quadro do Plano Tecnológico é uma garantia
acrescida da sua qualidade e da sua modernidade.
O betão não é bom ou mau por natureza. É o
seu carácter instrumental que lhe dá capacidade
de retorno e impulso económico e social. O betão
que aí vem é uma base para projectos sustentáveis
e integrados, que incluem novas tecnologias e desenvolvimento
de novas competências. É tecnobetão.
Constitui por isso uma boa aposta.
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