Nuno David
Maria JosÉ Gama
Pedro Tito Morais
Luis Novaes Tito
SÉrgio Pessoa
Militantes da região de
Lisboa
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Num regime democrático a pluralidade dentro dos partidos é considerada
um indicador da sua vitalidade, bem como da capacidade das
bases de influenciarem de forma participativa os órgãos
de governo do partido. Essa pluralidade manifesta-se através
de várias correntes em torno das ideologias estatutárias
ou mesmo grupos espontâneos e internos que funcionam
em dialéctica com os líderes partidários
eleitos maioritariamente.
No actual PS, talvez por a eleição do seu secretário-geral
ter sido por mais de 95% dos votos – facto raríssimo
nos países que funcionam em democracia –, criou-se
uma espécie de unanimismo, um monolitismo político,
onde quem, interna ou externamente, não estiver em perfeita
sintonia com a hierarquia é olhado com suspeição,
quando não com rejeição. Esta situação
inibe ou dificulta o debate interno e a possibilidade de colaboração
de muita gente que poderia contribuir de forma positiva para
o país através do partido.
Muita coisa se tem conjecturado sobre o que daí adviria,
desde que o nosso camarada Manuel Alegre teve, sem o apoio
formal do partido, os resultados conhecidos nas eleições
presidenciais. Muitos suspeitavam da ideia infundada de que
se pretenderia constituir um novo partido “à esquerda” ou,
pelo menos, criar uma espécie de dissidência dentro
do PS, que, a curto prazo, permitisse pressionar as políticas
do Governo, quando com elas não concordasse e, a médio
prazo, disputar com o camarada Sócrates a própria
chefia partidária. Nada disso aconteceu, nem é pressuposto
que aconteça.
Mas essa candidatura permitiu que muitos camaradas que se identificaram
com ela se estejam a organizar, para dentro e fora do partido,
continuando a fazer política, a debater novos modelos
e ideias, tendo em vista a modernização do nosso
sistema político e a melhoria das condições
de vida dos portugueses. A partir de uma reunião que
agregou centenas de militantes em Lisboa, em Fevereiro passado,
este grupo liderado por Manuel Alegre, intitulou-se “Corrente
Nacional de Opinião Socialista” (CNOS), e resolveu
desenvolver as suas actividades para dentro e fora do partido,
promovendo actividades locais e nacionais, colaborando quando
necessário com independentes que possam contribuir para
o debate e a formulação de propostas políticas
alternativas.
É, declaradamente, um grupo que patrocina e desenvolve
uma política de ideias e não de poder. Está,
assim, fora dos seus intuitos a conquista do poder interno
no partido, donde não ter participado, nem tencionar
participar, como grupo organizado, em quaisquer eleições
internas na hierarquia partidária.
Tratou-se, até agora e assim continuará, salvo
se algo muito imprevisível acontecer no PS, de uma pura
e justa manifestação de pluralismo interno, e
de não submissão, em termos ideológicos,
a cartilhas e comportamentos com que se não concorda.
E não se concorda, principalmente, por quatro razões:
a) pela actual organização e forma de proceder,
sem iniciativa, sem debate interno, sem pensamento político-ideológico,
e acima de tudo avessa à evidente necessidade de debater
a reforma dos partidos políticos, cada vez mais alheios
ao capital político dos seus militantes e dos cidadãos
em geral;
b) pelo descaimento do PS para a direita liberal, em desfavor
dos mais desfavorecidos e favorecimento dos especuladores e
dos muito ricos; aderindo ao negocismo e ao empreguismo, o
PS actual abandonou a prática do pensamento político
e colou-se subserviente e completamente ao Governo;
c) pela forma de governação, que contamina o
partido, demasiado autoritária e centralizadora, que
cria uma crispação social desnecessária
e afasta os cidadãos das decisões políticas;
d) pelo excesso do factor “dinheiro” e do “negócio” na
governação, que parece ser determinante mesmo
onde outros valores se deveriam humanisticamente sobrepor,
nomeadamente na Saúde, na Cultura, na Solidariedade
social, no combate ao desemprego, etc.
Há, contudo, muita coisa que nos une ao partido e nos
faz apoiar o Governo, até porque consideramos que o
secretário-geral está empenhado em reformar e
melhorar o país. Se não é merecedor da
solidariedade nos meios, é merecedor nos seus propósitos.
O Partido Socialista comporta um peso histórico de reserva,
sempre atento, sempre observador e sempre preparado para a
intervenção quando se fazem sentir desvios da
sua Declaração de Princípios. Uma espécie
de reserva que não prescinde de se revelar quando é necessário
e que pode inclusive fazer-se pública, penalizando desvios
sempre que entende necessário.
Com efeito, enganam-se os que gostam de contabilizar avanços
e recuos medindo o que se teve de avançar para agora
ajustar eleitoralmente à esquerda e seguir. Há uma
força indomável no PS que, mesmo quando se não
deixa contar nas espingardas do aparelho, está presente
na defesa de valores que blindam o ser socialista do PS. Pouco
lhe interessa o palpitar calculista dos avanços e recuos
porque lhe importa especialmente o progresso e a normalização
deste Portugal pelo qual nunca deixou de lutar. Se não
existir oposição portuguesa suficiente para marcar
o terreno, cá estará o PS para garantir a liberdade,
a justiça, a solidariedade, a igualdade de oportunidades
e o progresso.
Para a CNOS, o Partido Socialista é uma trave mestra
da nossa democracia que não pode deixar de se autorenovar.
Numa sociedade democrática e cada vez mais complexa,
onde a política cada vez mais não poderá ser
feita exclusivamente dentro dos partidos, é necessário
tentar caminhos e alternativas complementares. Deve haver,
de dentro para fora do partido, soluções para
que a democracia respire um ar sempre renovado.
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