
RUI VIEIRA
Deputado do
PS
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A luta contra
a pobreza empreendida pelos governos, organizações
internacionais e organizações não governamentais,
tem conhecido sucessos e insucessos, avanços e recuos.
Os progressos conseguidos até ao ano 2000 foram muito
encorajadores: de 1970 até 2000 a esperança de
vida nos países em desenvolvimento aumentou em mais
de 20 anos (passando para 62 anos), a taxa de mortalidade infantil
caiu para metade e duplicou a taxa de escolarização
no ensino primário.
Estes resultados demonstram que a pobreza pode ser vencida,
mas devemos ter a clara noção de que se trata
de uma tarefa sempre inacabada que exige concertação
de esforços à escala global e a mobilização
de recursos consideráveis.
Isso mesmo foi assumido pela ONU que, através da Declaração
do Milénio, adoptada em Setembro de 2000, enunciou um
conjunto de objectivos de desenvolvimento para a erradicação
da pobreza no mundo.
A pobreza, embora com distribuição desigual,
está em todo o lado e interpela-nos no mais íntimo
da nossa consciência.
Uma pessoa em cada cinco, no mundo, vive com menos de 1 dólar
por dia e uma em cada sete sofre de fome crónica.
É verdade que a globalização da economia
tem vindo a contribuir para a redução do número
e proporção de pessoas afectados pela pobreza
extrema, mas esta redução verificou-se, com maior
incidência nos países do leste asiático.
Outras regiões, como a África sub-sahariana,
enfrentam situações sociais muito criticas, com
o aumento da pobreza, a permanência de conflitos e a
larga disseminação de doenças.
Pode dizer-se que onde há pobreza extrema há violação
dos direitos humanos. De facto os pobres são destituídos
de tudo: educação, saúde, alimentação,
alojamento, influência política, ou seja, vêem-se
completamente privados do núcleo de direitos mais substancial
e básico.
De todas as carências, é a fome e a subalimentação
crónica, aquela que urge resolver em primeiro lugar
Nos países em desenvolvimento calcula-se que 150 milhões
de crianças sofram hoje de subnutrição,
com graves implicações de desenvolvimento mental
e físico.
Este flagelo mundial só pode ser progressivamente combatido
com vista à sua erradicação, através
de medidas que assegurem o crescimento sustentado das economias
dos países e o reforço das políticas sociais
que proporcionem mais equidade na distribuição
dos rendimentos, patamares que só podem ser alcançados
no quadro de politicas orçamentais públicas rigorosas
que favoreçam a actividade económica e induzam
baixas taxas de inflação.
Como se sabe, não são políticas fáceis
de aplicar mas são as únicas que garantem resultados
sustentáveis.
Por outro lado, os governos devem estimular uma progressiva
integração da economia dos seus países
na economia mundial, atraindo e protegendo o investimento,
incrementando a actividade económica privada, particularmente
no que concerne às pequenas empresas. Estas devem ser
aliviadas de cargas fiscais excessivas, libertas de teias burocráticas
paralisantes e ver melhoradas as suas condições
de acesso ao crédito.
Tudo isto, aliado a um esforço do investimento público
preferencialmente direccionado para a educação
e a aquisição de competências profissionais.
O ensino genérico e, em primeira mão, o ensino
profissional, capacita os cidadãos com os meios adequados à acção,
confere-lhes dignidade e o sentimento de pertença a
uma comunidade e impele-os à participação
política e à cidadania.
Todos os esforços para combater à pobreza revelam-se
inúteis onde a paz não está assegurada.
A guerra e os conflitos locais, têm liquidado qualquer “chance” de
desenvolvimento social nas zonas afectadas e os seus efeitos
atingem gravemente os pobres e, entre estes, as mulheres e
as crianças, com grande violência e brutalidade.
É, principalmente, nos países em desenvolvimento
que se trava a luta contra a pobreza mas esta é uma
tarefa para todos os países, como se sublinha na Declaração
do Milénio.
Na qualidade de doadores de ajuda, os países da OCDE
decidiram em 2001 reforçar a ajuda directa aos programas
locais de erradicação da pobreza, programas que
se querem liderados pelos países aos quais a ajuda se
dirige.
A Declaração da Reunião de Alto Nível
do CAD da OCDE, de Abril de 2001, reconheceu que a redução
da pobreza e das desigualdades no mundo, para além de
um imperativo moral, é essencial para os seus próprios
interesses, devido ao seu impacto na segurança mundial,
na cooperação internacional e no desenvolvimento
sustentável, bem como na preservação do
ambiente.
Desde então, têm-se registado progressos na cooperação
económica e nos esforços dos parceiros no sentido
de melhorar a governação, favorecer o crescimento
económico sustentável, reduzir as desigualdades
nas quotas de comércio global e nos fluxos de investimento.
É minha convicção que a manterem-se as
tendências actuais, os Objectivos de Desenvolvimento
do Milénio (pelo menos os mais importantes) serão
alcançados até 2015.
Mas para que tal se concretize é imprescindível
que os países alarguem e aprofundem a cooperação
mútua, intensifiquem o diálogo como aconteceu
recentemente na Cimeira de Lisboa entre a África e a
UE para conferir a milhões de pessoas espalhadas por
todo o mundo, em todos os países, os recursos mínimos
devidos a cada ser humano.
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